DOCE ROTINA

DOCE ROTINA
Empoderamento feminino. Futebol. Política, ou algo do gênero
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sexta-feira, 8 de abril de 2011

LUTO

LUTO. Fatiga-me a falta de compaixão, a insanidade não percebida, o fanatismo…A morte de muitos por um louco. O que dizer? A quem reclamar? O que clamar?

Não há palavras que descrevam a dor dessas famílias que, estupidamente, tiveram as vidas de seus filhos ceifadas por um louco. As imagens dramáticas explicam-se.

Loucura não se mede. Psicopatia, muitas vezes, passa despercebida. Então, qual prevenção adotar? Como agir? Estudos mostram que transtornos ressaltam-se, na maioria das vezes, provocados pelo ambiente: mãe alheia; pai ausente; abusos físicos; persuasão religiosa…

A carta deixada pelo infeliz, intui-se que ele era religioso. Ele rotulava a sociedade entre puros e impuros. Alguém deve ter pregado essa proposição a ele. O exagero e o chamado da “voz interna da loucura “ o conduziram ao abismo. Talvez devamos ser mais cuidadosos com nossas certezas “suscetíveis”, moderarmos nossa teoria de donos da verdade. A fé, na minha humilde concepção, não é coletiva. Não dá pra reparti-la. Cada um, na sua experiência com Deus, é capaz de fidelizar seu compromisso com o que acredita.

Que cada família fidelize seu compromisso com o que acredita, seja o que for, desde que a conforte.

sábado, 19 de março de 2011

Se o mundo acabar em 2012, eu me mato!

O mundo acaba todos os dias para quem sai deste plano. Essa é a minha concepção de fim de mundo. Essa semana foi muito chata, a maioria das pessoas só sabiam corroborar a idéia do mundo acabar em 2012. O Japão com a sua desastrosa localização e os últimos acontecimentos reforçaram essa tese.

Embora o sentimento de pesar e comoção– pelo menos dos ocidentais – confirmem a tristeza, muitos comentários foram aventados de forma desorientada. Ouvi que essa tragédia era o primeiro soar da trombeta (!?), que tudo estava escrito, que alguém somou, dividiu, multiplicou, converteu alguns números e, pasmem(!) estava previsto um terremoto no Japão. Vi também (e essa foi a pior porque foi veiculada pela mídia local) que um tremor de terra sacudiu Ibirá – próximo de São José do Rio Preto – e que não tinha associação com os tremores do Japão (ah vá!) ,mas que 2012 estava próximo…Um rapaz da academia, que é seguidor de uma igreja protestante, ressaltou que não iria no culto da noite porque o pastor certamente iria pregar 2 horas sobre o fim do mundo.

Várias teorias corroboram o fim do mundo, outras diversas refutam. O mundo é cíclico. A população é renovada: seja porque Adão comeu a maçã induzido por Eva e nos condenou ao pecado original, seja porque as células, alimentadas por oxigênio, envelhecem. Escolha a sua tese. Para mim o mundo vai acabar quando eu fechar os olhos, em definitivo, e não conseguir mais me comunicar com ninguém desse plano. É claro que adiantamos, muitas vezes, esse processo, mas ele é tempestivo. Ou não. Bom, no mínimo, se eu estiver errada, esse blog se encerra em 2012.

sábado, 12 de março de 2011

Courinhos insistentes

Courinho filho de uma égua. Já ouviram essa?
Avessos ao carnaval, fomos nos “esconder” e rever meus sogros em Terra Rica-PR, uma cidade que até o google maps pede informação pra saber onde fica. A vida por lá é bem pacata. Não há grandes comércios, eventos e na tv aberta, apenas a velha e boa Globo,  detentora de um bom satélite e o SBT expandindo seu mercado do Baú da Felicidade. A mídia impressa chega com alguns dias de atraso – jornal é a notícia de ontem, imagine por lá – e nem todas as publicações tem uma logística tão habilidosa.
Certa noite, meu sogro recebeu uns amigos para um churrasco. Um dos casais tem uma bebê da idade do meu filho: 2 anos e 10 meses. Bebês são impagáveis. Bebês são espertos, ativos, comunicativos…dentro de nossas casas. Fazem tudo que pedimos, salvo se uma terceira pessoa estiver presente, aí, esquece(!), assinamos o atestado da mentira. A mãe da pequenina disse que ela falava de tudo, a toda hora, era mais comunicativa que o Silvio Santos! Não me espantei com o seu silêncio. Meu filho também é assim, faz o que quer, onde quer, desisti de me ixibir com ele. Meu filho e a bebê, com as suas comunicações codificadas, interagiram a noite toda. Em um momento, após desistirem de correr e pararem para comer, a mãe da pequena a serviu com um pedaço de carne. A carne com um pequeno nervinho, foi cortada insistentemente pela mãe, assistida pelos olhos atentos da pequena. A casa estava em silêncio, apenas as batidas dos talheres eram ouvidas. A mãe insistia com a carne. A casa estava em silêncio, apenas o mastigar frenético era ouvido. A mãe insistia com a carne. A pequena impaciente com a insistência da mãe, até o momento calada, emitiu um som sem rodeios: ÊÊÊÊ COURINHO FILHO DE UMA ÉGUA!! A mãe quase faz a criança engolir o prato diante do espanto e dos risos dos presentes…
Terra Rica teve aversão pelo progresso até os últimos 6 anos de sua história a apresentarem a uma usina. O mercado de trabalho cresceu.  A economia cresceu. Os buracos nas ruas cresceram. A estrutura e os costumes da cidade não. Na TV aberta, mudo de canal impacientemente: Globo, SBT, Globo, SBT…Ê courinho filho de uma égua!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Em busca da felicidade

Hoje comprovei que nada é absoluto. A felicidade, então, deve ser o paradigma da relatividade. Um carro novo pode trazer muita satisfação, mas um cocô, meu amigo, é o elixir da felicidade.

Meu filho tem 2 anos - quase 3 - e há alguns longos 4 meses estamos tentando tira-lo das fraldas. Ah, as benditas fraldas…ecologicamente incorretas, mas perfeitas para mulheres do séc. XXI. Não conseguiria me imaginar lavando-as se fossem de pano, contudo, obra do destino fanfarrão, acabei trocando-as pelas cuecas.

O treinamento nem foi tão exaustivo assim, em duas semanas meu baby já estava um perfeito “Ronaldinho” na arte do xixi, nem fazia mais durante a noite. Tudo caminhava para uma inscrição no Guines: o bebê que domina a arte do peniquinho. O mundo, senhores, era de glórias! Mas, como fácil é só mastigar água, veio o caos: cocô no peniquinho, nem pensar! Haja cueca suja e sabão de coco. Haja resistência física e psicológica. Haja PACIÊNCIA! Tentamos de tudo: Nos despedimos, expulsamos, cantamos, dançamos para o cocô. Ele (sim, o cocô) era quase uma quinta pessoa em minha casa, um eremita morando em uma pequena caverna, pronto pra descobrir o mundo a qualquer momento. E que momento: antes do banho; logo após o banho; logo após o soninho; antes de um passeio; até mesmo no alto do escorregador! Revezávamos na limpeza, se a coisa continuasse era provável que adotaríamos números e faríamos rodízios. Tempos complexos.

Hoje, senhores, o meu filhote rendeu-se completamente ao trono – depois de umas “ameacinhas”, confesso – mas, o inesperado cocô nas calças faz parte do passado. Sou a pessoa mais feliz do mundo, e nada, nada mesmo, é mais sublime! Adeus cuecas meladas!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nota de falecimento

Cumpro o doloroso dever de comunicar o falecimento da Esperança corintiana em ganhar a Libertadores, ocorrido na noite desta quarta-feira (02/02/11), vítima de um enfadonho time colombiano.

Sua trajetória é marcada pelo sofrimento.  Nasce em 1977 e, inexperiente, cai na primeira fase. Após 14 anos, arrisca-se mais uma vez,  luta, passa pela primeira fase, contudo é ceifada pelo Boca Juniors. Em 1996 repete o feito, mas não contava com o bom desempenho dos gremistas em terras alvinegras. Em 1999 e 2000 infla-se novamente, motivada pelas conquistas no Brasileirão e a formação de uma equipe excelente. Mas no meio do caminho tinha uma pedra, e essa pedra era verde…o Palmeiras derrota o Timão e na segunda ocasião, barrados pelas mãos do Marcos os pés do, talvez, maior ídolo que a Nação elegeu: Marcelinho Carioca, a Esperança quase que não respira mais. Isola-se, concentra-se, organiza-se e surge renovada. Em 2003 e 2006 cultiva novas inimizades: River Plate.

Polêmica, sempre suscitou as maledicências dos adversários, que insistiam em dizer que ela não conseguiria concluir seu objetivo com êxito. Em 2010, no ano do centenário do Timão, quis contrapor as difamações, mas aí, sem sorte – e só por causa dela – caiu diante do Flamengo.

Encontrava-se enferma desde 05/12/2010, quando no Serra Dourada, diante do Goiás sentiu as primeiras dores. Em 2011, 02/02/11, as 11h50min não resistiu. Deixa mais de 30 milhões de apaixonados órfãos e o desejo de que surja, brevemente, como uma fênix.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A tragédia, para quem vive dela.

As tragédias que ocorreram nas cidades serranas do Rio de Janeiro, certamente, chocaram-nos. É difícil mensurar qual seria o grau da dor de alguém que perde vários entes de sua família. Diante da dor e da perda, resta-nos buscar ações de ajuda, sermos solidários. O Brasil está mobilizado, cada um do seu jeito, ajuda da forma que pode, contudo não pude deixar de notar que, nessas horas, ainda existam os oportunistas.

Li na Folha de São Paulo de hoje que alguns artigos, como velas, são itens escassos nos mercados locais e que, pasmem (!), os comerciantes estão cobrando R$ 15,00  o pacote. Não dá nem pra comentar, não é? Nada como uma desgraça para inflacionar o mercado e aumentar os lucros.

Navegando em algumas redes sociais percebi várias correntes do bem - mensagens de divulgação de como/onde ajudar -,  mas proporcionalmente encontrei, também, vários agradecimentos de artistas/celebridades às Empresas XXX Ltda. pela doação de alguns itens.  Até aí, nada demais, o problema está comigo mesmo, pois fico imaginando a cena: a “João Janson” resolve ajudar e quer doar 5000 pacotes de fraldas descartáveis. Ela, através de seu diretor de marketing megassolidário, liga para o “Tucano Gucki”, apresentador badalado, que comovido com o ato, divulga a informação no Twitter, Facebook…mas, não era mais fácil a Empresa querer doar e entrar em contato com a secretaria do Município ou Estado? Claro que não. Quem não gostaria de comprar fraldas da Empresa que se “preocupa” com as necessidades do povo brasileiro. Doar anonimamente? E onde fica o marketing?

A imprensa também não fica atrás. Vários aspirantes a datena apareceram na TV. Todos os “ângulos” da notícia estão sendo registrados: o do fato, o da falta, o da dor, o da humilhação…Registrar o fato deve se sinônimo de informar. Qualquer coisa além é invasão e exploração da intimidade. Acho deprimente entrevistas no cemitério com alguém visivelmente transtornado, enterrando parte de sua vida,  tão cruel quanto filmar os que buscam por seus parentes no IML. Não me espantaria se algum desses vitimados resolvesse responder aos repórteres de forma grosseira…Respeitar a dor alheia também é uma forma de ajudar.

É triste, mas a cada início de ano, embalados pelo verão com suas chuvas torrenciais, estaremos cada vez mais aguardando a próxima tragédia. A falta de planejamento social agrava o problema, um pouco de vontade política talvez possa minimizar seu efeito. A verba destinada para prevenção não foi devidamente utilizada. Talvez eu seja muito leiga nesse assunto e não consiga entender que conseguir um bilhão para reformar o Maracanã seja mais fácil do angariar verba para  obras de drenagem e contenção de encostas.

Espero que os vitimados busquem forças. Que tenham lágrimas pra chorar seus mortos. Que tenham ânimo para reconstruir seus lares. E que não se importem com o que acontece ao redor, afinal, o detalhe só enxerga quem não vive a tragédia.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Os deleites do orkut

My sweet daily,
Após um longo período atribulada com os afazeres da "festa da democracia", voltei! Muita coisa aconteceu nesse ínterim, mas nada que a imprensa não tenha elucubrado - cansei! - resolvi, então, postar sobre o que meu ócio fez saltar aos olhos: as fotos do Orkut. 
Tenho uma conta na comunidade mais popular do país. "Re-encontrei" amigos, conhecidos, inimigos, admiradores, admirados, fofoqueiras...e neste ambiente protagonizam-se diariamente a vida de anônimos. A comunicação verbal é corriqueiramente precária, mas o que mais me diverte são as comunicações não verbais: as fotos. Elas corroboram ou refutam o momento de cada usuário: classe social, estado emocional, religião, escolaridade, nada passa despercebido. 
Muitos fazem dos álbuns verdadeiros açougues onde são expostas maminhas, coxinhas, buchinhos, orelhinhas, costinhas....rs! É hilário! Em uma outra passada notam-se a atual situação civil dos membros, pois fotos antes acompanhadas são substituídas por poses solitárias, insinuantes, e dependendo do grau de disponibilidade, com pouca roupa e dedinho na boca. Espetacular! Divirto-me deveras! Nestes casos as fotos dos filhos são retiradas, ou colocadas em segundo plano, afinal, neste momento, os pimpolhos podem assustar os pretendentes. 
Diante disso tudo pensei: é necessário ser ético na internet? O velho "olho no olho" nos norteava a condutas mais apropriadas, mais polidas, já a internet - a ótica de muitos - mascara, oculta, suaviza. Ser um anônimo na internet talvez seja mais popular do que ser a garota gostosa do colégio, com a horrível premissa de que quem te observa, ou te re-encontrou, tem uma idéia de que você talvez não seja exatamente aquilo que esteja "vendendo". 
Adoro álbuns do Orkut. Impagáveis.