DOCE ROTINA

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sábado, 12 de março de 2011

Courinhos insistentes

Courinho filho de uma égua. Já ouviram essa?
Avessos ao carnaval, fomos nos “esconder” e rever meus sogros em Terra Rica-PR, uma cidade que até o google maps pede informação pra saber onde fica. A vida por lá é bem pacata. Não há grandes comércios, eventos e na tv aberta, apenas a velha e boa Globo,  detentora de um bom satélite e o SBT expandindo seu mercado do Baú da Felicidade. A mídia impressa chega com alguns dias de atraso – jornal é a notícia de ontem, imagine por lá – e nem todas as publicações tem uma logística tão habilidosa.
Certa noite, meu sogro recebeu uns amigos para um churrasco. Um dos casais tem uma bebê da idade do meu filho: 2 anos e 10 meses. Bebês são impagáveis. Bebês são espertos, ativos, comunicativos…dentro de nossas casas. Fazem tudo que pedimos, salvo se uma terceira pessoa estiver presente, aí, esquece(!), assinamos o atestado da mentira. A mãe da pequenina disse que ela falava de tudo, a toda hora, era mais comunicativa que o Silvio Santos! Não me espantei com o seu silêncio. Meu filho também é assim, faz o que quer, onde quer, desisti de me ixibir com ele. Meu filho e a bebê, com as suas comunicações codificadas, interagiram a noite toda. Em um momento, após desistirem de correr e pararem para comer, a mãe da pequena a serviu com um pedaço de carne. A carne com um pequeno nervinho, foi cortada insistentemente pela mãe, assistida pelos olhos atentos da pequena. A casa estava em silêncio, apenas as batidas dos talheres eram ouvidas. A mãe insistia com a carne. A casa estava em silêncio, apenas o mastigar frenético era ouvido. A mãe insistia com a carne. A pequena impaciente com a insistência da mãe, até o momento calada, emitiu um som sem rodeios: ÊÊÊÊ COURINHO FILHO DE UMA ÉGUA!! A mãe quase faz a criança engolir o prato diante do espanto e dos risos dos presentes…
Terra Rica teve aversão pelo progresso até os últimos 6 anos de sua história a apresentarem a uma usina. O mercado de trabalho cresceu.  A economia cresceu. Os buracos nas ruas cresceram. A estrutura e os costumes da cidade não. Na TV aberta, mudo de canal impacientemente: Globo, SBT, Globo, SBT…Ê courinho filho de uma égua!

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