A campanha eleitoral está em sua reta final e semanalmente pesquisas são encomendadas para divulgar a intenção do eleitorado. Na última - sexta-feira - Dilma venceria seus oponentes no primeiro turno. Pesquisas, você já respondeu alguma? Eu não. Eis que surge a dúvida: como é possível levantar dados entrevistando tão poucas pessoas? Será que estas pesquisas estão certas?
A realização de pesquisas quantitativas passam pelas seguintes etapas: definição do objetivo; definição da população; elaboração do questionário; coleta dos dados e processamento dos dados - tabulação. Essas pesquisas partem da premissa de que todos os indivíduos pertencem a um determinado grupo e que, definidos estes grupos, pressupõem-se que as ações, as ideologias, os anseios, etc, são análogos entre os que o integram. Forte não? Acalme-se! Não se rotule, ainda, de "Maria vai com as outras" . Caso você não se encaixe em nenhuma facção da sociedade há, para você, um campo especial: a margem de erro. Esta margem contempla aqueles que não fazem parte de grupos pré-estabelecidos (ufa!) e isto compreende um percentual de 2%. Sim caríssimos, apenas 2% da população destoa dos demais. Aí é que mora o perigo...
Nascemos em um mundo pré-existente. Ao darmos o ar da graça encontramos uma sociedade, conceitos, costumes, hábitos e comportamentos organizados. Geralmente, nos enquadramos neste mundo. Nada de mau nisso: vida pronta, rumo traçado, bora correr por esse rio...o que realmente incomoda é saber que as escolhas não são nossas, as fizeram por nós. Muitas vezes repetimos o que já foi dito, fazemos o que já foi feito, ansiamos o que já quiseram. Nada novo, nada refutado ou corroborado. Não vejo problemas em continuar e ratificar algo, o problema é que não questionamos os atos. A dúvida é o maior bem que o ser humano pode ter, quando a praticamos, discutimos nossos passos. As pesquisas de intenção de votos mostram que uma ínfima parte é capaz disso e que o restante é uma cópia fiel dos demais. Sim, você é mais parecido com seu vizinho rabugento e sua vizinha fofoqueira do que imagina e, em um determinado momento, provavelmente, terão a mesma atitude.
Não existe verdade absoluta, e sim provisória. Tudo pode ser passível de dúvida até que possa ser comprovado por um raciocínio lógico. A minha geração foi marcada pelo ato dos "cara pintadas" destituindo um presidente mal votado - Collor. Obviamente apequena-se diante dos atos da geração anterior que lutou contra as barbáries da ditadura. A tendência é fazermos cada vez menos, pois a metodologia de hoje prefere instruir a apreender. Somos a geração do leia a bula. Fazemos parte de uma grande maioria que fala a mesma língua nas pesquisas de opinião. Você ainda acha que as pesquisas estão erradas?

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