DOCE ROTINA

DOCE ROTINA
Empoderamento feminino. Futebol. Política, ou algo do gênero
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Pão e circo?

O futebol é a válvula de escape de uma cisterna cheia de merda…
Qual a motivação de quem vive de futebol? Qual o fator ensejador dessa paixão? Por que, entre tantos assuntos, ele é comentado com tamanha primazia? O mais popular dos esportes brasileiro abraça, sem esforços, pobres e ricos, analfabetos e letrados…a diversão acontece no condão de uma bola. Mas ele não só distrai, ele vira assunto, vira paixão…
Estima-se que, no Brasil, 32% da população com renda média de dois salários mínimos vive nas periferias, cuja jornada de trabalho atinge 33,33% do tempo, o deslocamento para o trabalho outros 16,66% – em média 4 horas, entre ida e volta – restando 50,01% do dia para dormir, comer, lazer… neste cálculo não categórico, é possível supor que, a vida do brasileiro menos provido de recursos, vulgo pobre, consiste em trabalhar para sobreviver.
Deixemos os chatos números de lado e vamos ao velho e bom exercício de nos colocarmos no lugar do outro…A política do pão e circo, que afeta diretamente o emprego da democracia neste país, afugenta o influenciável, inclinando-o a decisões manipuladas pela troca e, em muitas situações, desviando o foco do relevante. Mas o que é essencial para quem não tem acesso a espaços e benefícios sociais diversos? O que importa, se o que mais importa é existir?
O Brasil de ontem, que nos deixou uma população de resistentes reativos, é atropelado por uma geração de brasileiros informados, porém afobados. Essa nova “linhagem” de instruídos não é capaz de entender a dificuldade em se construir mudanças, não inclui os que destoam (pobres, menos instruídos) e, quando muito perturbados – ou ociosos na espera de um novo modelo de videogame, como queiram –, organizam passeatas em redes sociais que, infelizmente, não passam de sucessos virtuais…talvez isso ocorra devido a falta de contato com a massa…Para se chegar no povo, é necessário estar povo. Sócrates – sim, o jogador – fez isso, atingiu a célula, entrando no núcleo.
Ah, o futebol, coisa vã, fútil, que se esvai…Ah, o futebol, coisa que forma o espírito, que acalenta e esvazia a cisterna…

sábado, 2 de julho de 2011

O escolhido

Todo mundo tem o direito de ser amado incondicionalmente.

A discussão sobre o casamento de homossexuais trouxe à tona um preconceito adormecido: a homofobia. O inquieto convívio com os diferentes – do ponto de vista dos “pseudo” comuns – tem gerado manifestações impetuosas, fundamentadas no absurdo incômodo de avistar os carinhos trocados por aqueles do mesmo sexo.

Por mais que cause estranheza a alguns – ou muitos – as escolhas devem ser respeitadas. O livre arbítrio é um pilar que deve ser sustentado. Se o caminho é correto, ou não, o que se trouxe à baila terá seu retorno. E isso basta! As omissões serão preenchidas, os excessos cortados. O amor não é desigual. Não se perturba. Não se altera.

Contudo, o que me causa maior descontentamento é ver que alguns não toleram a adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Acham que opção sexual é como gripe: é viral. Preferem crianças esquecidas em orfanatos, desprovidas de carinho, ao amparo daqueles que possuem amor em demasia. Um pensamento edificado na disposição egoísta daqueles que só sentem se enxergam. Ignoram-se  crianças crescendo à margem da sociedade e repudiam-se esses futuros marginais. Simples assim.

Não posso partilhar de uma idéia tão tola. Dói saber que o preconceito é capaz de prejudicar o refúgio dos indefesos. Se tem alguém que tenha amor de sobra pra doar. Que deixem doar! Todo mundo tem direito de ter alguém que o considere o mais importante. O mais especial. O único. Que morra e mate por ti. O direito de ser escolhido por Deus para viver ao lado de quem fez qualquer escolha.

domingo, 26 de junho de 2011

Um cantinho no sofá

Cartoon-9-

As redes sociais projetaram-se. Não trata-se apenas de um mundo “virtual”, uma esfera surreal, mas a extensão do cotidiano.

Embora ainda seja o esconderijo daqueles que socialmente não se integram, os “e-groups”, para a maioria, se consolida como um assento a mais no sofá. Aquela pessoa (íntima ou não) que fez parte da sua vida, mas que de alguma forma não esteja presente, passa a partilhá-la e a conversa ganha coro. Tem, como os melhores frascos de perfumes, o efeito de trazer alegria e prazer às lembranças – o cheiro doce da infância.

Envolve-me de fascínio re-encontrar alguém que, de alguma forma, fez parte da minha vida. Alegra-me, ainda mais, continuar aquela boa conversa que o tempo e o destino não fez progredir. Encurtar distâncias. Elucidar mal entendidos. Talvez algo que tenha  feito tanto mal em uma determinada época – coisas da imaturidade – hoje, não tenha a menor importância, e um “oi!” seja a coragem do dedinho mindinho não estendido.

Claro que nem todos querem socializar. Existem, certamente, aqueles que não possuem lembranças nenhuma. Há aqueles que usam as redes pra espelhar desejos. Produzir quem não se conseguiu ser, é muito comum. O sucesso é o tema, mas, ao desligar-se as máquinas, o glamour acaba. Voltam-se às ostras.

Contudo, ainda prefiro a satisfação do todo. O somar. O ligar. A conversão das preces num som de choro único. A transformação do sorriso em um coro de alegria. A aproximação dos ausentes. Juntar as partes, uní-las em um nó cego. Prefiro guardar sempre um cantinho a mais no meu sofá.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O carma da bipolaridade

Saudades do tempo em que os surtados eram apenas folgados.

Havia um tempo em que sair do “prumo” era  descuidar do bom uso do convívio em grupo. Nós, por maiores problemas que tivéssemos, prezávamos pela educação: bom dia, tarde ou noite?; como vai?; eram inerentes, ou melhor, peças basilares que construíamos, apoiados por nossos pais. Quem não se adequava, era folgado, mal humorado, carrancudo, antissocial…Hoje, as coisas mudaram, e com elas aqueles predicados e suas consequências. A falta de equilíbrio é chamada, agora, de bipolaridade.

É um verdadeiro estorvo ter que adivinhar se fulano tá de bem com a vida, ou não. Na maioria das vezes coloco-me a disposição das pessoas, recebo-as da forma mais simpática possível. Meu lema? Educação é recíproca. O grande problema é que eu realmente acredito nisso, mas com essa onda de bipolaridade, tenho me estrepado…aceno freneticamente pra um, recebo um levantar de olhos. No outro dia – devolvendo a “gentileza” – levanto friamente os olhos, e recebo um caloroso oi (!). Converso com um conhecido a respeito e ouço a seguinte explicação: fulano é bipolar! Ah, claro! Eu que adivinhasse.

Conheço um cara também que vive enaltecendo os seus valores de bom pai, marido, filho…outro dia, num surto, protagonizou uma cena do Tropa de Elite. Baixou um capitão Nascimento no cara, e quase mandou curió cantar…Diagnóstico caseiro? Bipolaridade. Sempre ela! Família amando-se novamente.

Pensando em não cometer mais equívocos, resolvi listar alguns sintomas, e ajudar os meus conhecidos descontrolados:

  • bom humor intenso e incomum – ninguém ri a toa, se tiver feliz demais, atente-se;
  • energia excessiva – todo ser humano tem um pouco de preguiça;
  • irritabilidade – rir a toa não é comum, querer matar alguém, também não;
  • falar mais rápido do que o normal – coisa de gente que vai falar merlim antes de pensa-la;
  • fácil distração – ouvir a agulha caindo no chão, vai por mim, não é normal;
  • idéia exagerada das capacidades – não, você não vai conseguir resolver o problema do oriente médio. E definitivamente não,  você não sabe voar.

Se, alguém respondeu positivamente a algum desses requisitos, por favor, fique em casa, abra o seu amigo notebook e esconda-se atrás do seu “avatar”. Os que ainda são apenas chatos e mal humorados, como eu, agradecem.

P.S.: Os nomes dos envolvidos foram preservados para preservar meu patrimônio.

    sexta-feira, 8 de abril de 2011

    LUTO

    LUTO. Fatiga-me a falta de compaixão, a insanidade não percebida, o fanatismo…A morte de muitos por um louco. O que dizer? A quem reclamar? O que clamar?

    Não há palavras que descrevam a dor dessas famílias que, estupidamente, tiveram as vidas de seus filhos ceifadas por um louco. As imagens dramáticas explicam-se.

    Loucura não se mede. Psicopatia, muitas vezes, passa despercebida. Então, qual prevenção adotar? Como agir? Estudos mostram que transtornos ressaltam-se, na maioria das vezes, provocados pelo ambiente: mãe alheia; pai ausente; abusos físicos; persuasão religiosa…

    A carta deixada pelo infeliz, intui-se que ele era religioso. Ele rotulava a sociedade entre puros e impuros. Alguém deve ter pregado essa proposição a ele. O exagero e o chamado da “voz interna da loucura “ o conduziram ao abismo. Talvez devamos ser mais cuidadosos com nossas certezas “suscetíveis”, moderarmos nossa teoria de donos da verdade. A fé, na minha humilde concepção, não é coletiva. Não dá pra reparti-la. Cada um, na sua experiência com Deus, é capaz de fidelizar seu compromisso com o que acredita.

    Que cada família fidelize seu compromisso com o que acredita, seja o que for, desde que a conforte.

    sábado, 19 de março de 2011

    Se o mundo acabar em 2012, eu me mato!

    O mundo acaba todos os dias para quem sai deste plano. Essa é a minha concepção de fim de mundo. Essa semana foi muito chata, a maioria das pessoas só sabiam corroborar a idéia do mundo acabar em 2012. O Japão com a sua desastrosa localização e os últimos acontecimentos reforçaram essa tese.

    Embora o sentimento de pesar e comoção– pelo menos dos ocidentais – confirmem a tristeza, muitos comentários foram aventados de forma desorientada. Ouvi que essa tragédia era o primeiro soar da trombeta (!?), que tudo estava escrito, que alguém somou, dividiu, multiplicou, converteu alguns números e, pasmem(!) estava previsto um terremoto no Japão. Vi também (e essa foi a pior porque foi veiculada pela mídia local) que um tremor de terra sacudiu Ibirá – próximo de São José do Rio Preto – e que não tinha associação com os tremores do Japão (ah vá!) ,mas que 2012 estava próximo…Um rapaz da academia, que é seguidor de uma igreja protestante, ressaltou que não iria no culto da noite porque o pastor certamente iria pregar 2 horas sobre o fim do mundo.

    Várias teorias corroboram o fim do mundo, outras diversas refutam. O mundo é cíclico. A população é renovada: seja porque Adão comeu a maçã induzido por Eva e nos condenou ao pecado original, seja porque as células, alimentadas por oxigênio, envelhecem. Escolha a sua tese. Para mim o mundo vai acabar quando eu fechar os olhos, em definitivo, e não conseguir mais me comunicar com ninguém desse plano. É claro que adiantamos, muitas vezes, esse processo, mas ele é tempestivo. Ou não. Bom, no mínimo, se eu estiver errada, esse blog se encerra em 2012.

    sábado, 12 de março de 2011

    Courinhos insistentes

    Courinho filho de uma égua. Já ouviram essa?
    Avessos ao carnaval, fomos nos “esconder” e rever meus sogros em Terra Rica-PR, uma cidade que até o google maps pede informação pra saber onde fica. A vida por lá é bem pacata. Não há grandes comércios, eventos e na tv aberta, apenas a velha e boa Globo,  detentora de um bom satélite e o SBT expandindo seu mercado do Baú da Felicidade. A mídia impressa chega com alguns dias de atraso – jornal é a notícia de ontem, imagine por lá – e nem todas as publicações tem uma logística tão habilidosa.
    Certa noite, meu sogro recebeu uns amigos para um churrasco. Um dos casais tem uma bebê da idade do meu filho: 2 anos e 10 meses. Bebês são impagáveis. Bebês são espertos, ativos, comunicativos…dentro de nossas casas. Fazem tudo que pedimos, salvo se uma terceira pessoa estiver presente, aí, esquece(!), assinamos o atestado da mentira. A mãe da pequenina disse que ela falava de tudo, a toda hora, era mais comunicativa que o Silvio Santos! Não me espantei com o seu silêncio. Meu filho também é assim, faz o que quer, onde quer, desisti de me ixibir com ele. Meu filho e a bebê, com as suas comunicações codificadas, interagiram a noite toda. Em um momento, após desistirem de correr e pararem para comer, a mãe da pequena a serviu com um pedaço de carne. A carne com um pequeno nervinho, foi cortada insistentemente pela mãe, assistida pelos olhos atentos da pequena. A casa estava em silêncio, apenas as batidas dos talheres eram ouvidas. A mãe insistia com a carne. A casa estava em silêncio, apenas o mastigar frenético era ouvido. A mãe insistia com a carne. A pequena impaciente com a insistência da mãe, até o momento calada, emitiu um som sem rodeios: ÊÊÊÊ COURINHO FILHO DE UMA ÉGUA!! A mãe quase faz a criança engolir o prato diante do espanto e dos risos dos presentes…
    Terra Rica teve aversão pelo progresso até os últimos 6 anos de sua história a apresentarem a uma usina. O mercado de trabalho cresceu.  A economia cresceu. Os buracos nas ruas cresceram. A estrutura e os costumes da cidade não. Na TV aberta, mudo de canal impacientemente: Globo, SBT, Globo, SBT…Ê courinho filho de uma égua!

    sábado, 19 de fevereiro de 2011

    Em busca da felicidade

    Hoje comprovei que nada é absoluto. A felicidade, então, deve ser o paradigma da relatividade. Um carro novo pode trazer muita satisfação, mas um cocô, meu amigo, é o elixir da felicidade.

    Meu filho tem 2 anos - quase 3 - e há alguns longos 4 meses estamos tentando tira-lo das fraldas. Ah, as benditas fraldas…ecologicamente incorretas, mas perfeitas para mulheres do séc. XXI. Não conseguiria me imaginar lavando-as se fossem de pano, contudo, obra do destino fanfarrão, acabei trocando-as pelas cuecas.

    O treinamento nem foi tão exaustivo assim, em duas semanas meu baby já estava um perfeito “Ronaldinho” na arte do xixi, nem fazia mais durante a noite. Tudo caminhava para uma inscrição no Guines: o bebê que domina a arte do peniquinho. O mundo, senhores, era de glórias! Mas, como fácil é só mastigar água, veio o caos: cocô no peniquinho, nem pensar! Haja cueca suja e sabão de coco. Haja resistência física e psicológica. Haja PACIÊNCIA! Tentamos de tudo: Nos despedimos, expulsamos, cantamos, dançamos para o cocô. Ele (sim, o cocô) era quase uma quinta pessoa em minha casa, um eremita morando em uma pequena caverna, pronto pra descobrir o mundo a qualquer momento. E que momento: antes do banho; logo após o banho; logo após o soninho; antes de um passeio; até mesmo no alto do escorregador! Revezávamos na limpeza, se a coisa continuasse era provável que adotaríamos números e faríamos rodízios. Tempos complexos.

    Hoje, senhores, o meu filhote rendeu-se completamente ao trono – depois de umas “ameacinhas”, confesso – mas, o inesperado cocô nas calças faz parte do passado. Sou a pessoa mais feliz do mundo, e nada, nada mesmo, é mais sublime! Adeus cuecas meladas!

    quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

    Nota de falecimento

    Cumpro o doloroso dever de comunicar o falecimento da Esperança corintiana em ganhar a Libertadores, ocorrido na noite desta quarta-feira (02/02/11), vítima de um enfadonho time colombiano.

    Sua trajetória é marcada pelo sofrimento.  Nasce em 1977 e, inexperiente, cai na primeira fase. Após 14 anos, arrisca-se mais uma vez,  luta, passa pela primeira fase, contudo é ceifada pelo Boca Juniors. Em 1996 repete o feito, mas não contava com o bom desempenho dos gremistas em terras alvinegras. Em 1999 e 2000 infla-se novamente, motivada pelas conquistas no Brasileirão e a formação de uma equipe excelente. Mas no meio do caminho tinha uma pedra, e essa pedra era verde…o Palmeiras derrota o Timão e na segunda ocasião, barrados pelas mãos do Marcos os pés do, talvez, maior ídolo que a Nação elegeu: Marcelinho Carioca, a Esperança quase que não respira mais. Isola-se, concentra-se, organiza-se e surge renovada. Em 2003 e 2006 cultiva novas inimizades: River Plate.

    Polêmica, sempre suscitou as maledicências dos adversários, que insistiam em dizer que ela não conseguiria concluir seu objetivo com êxito. Em 2010, no ano do centenário do Timão, quis contrapor as difamações, mas aí, sem sorte – e só por causa dela – caiu diante do Flamengo.

    Encontrava-se enferma desde 05/12/2010, quando no Serra Dourada, diante do Goiás sentiu as primeiras dores. Em 2011, 02/02/11, as 11h50min não resistiu. Deixa mais de 30 milhões de apaixonados órfãos e o desejo de que surja, brevemente, como uma fênix.

    sábado, 15 de janeiro de 2011

    A tragédia, para quem vive dela.

    As tragédias que ocorreram nas cidades serranas do Rio de Janeiro, certamente, chocaram-nos. É difícil mensurar qual seria o grau da dor de alguém que perde vários entes de sua família. Diante da dor e da perda, resta-nos buscar ações de ajuda, sermos solidários. O Brasil está mobilizado, cada um do seu jeito, ajuda da forma que pode, contudo não pude deixar de notar que, nessas horas, ainda existam os oportunistas.

    Li na Folha de São Paulo de hoje que alguns artigos, como velas, são itens escassos nos mercados locais e que, pasmem (!), os comerciantes estão cobrando R$ 15,00  o pacote. Não dá nem pra comentar, não é? Nada como uma desgraça para inflacionar o mercado e aumentar os lucros.

    Navegando em algumas redes sociais percebi várias correntes do bem - mensagens de divulgação de como/onde ajudar -,  mas proporcionalmente encontrei, também, vários agradecimentos de artistas/celebridades às Empresas XXX Ltda. pela doação de alguns itens.  Até aí, nada demais, o problema está comigo mesmo, pois fico imaginando a cena: a “João Janson” resolve ajudar e quer doar 5000 pacotes de fraldas descartáveis. Ela, através de seu diretor de marketing megassolidário, liga para o “Tucano Gucki”, apresentador badalado, que comovido com o ato, divulga a informação no Twitter, Facebook…mas, não era mais fácil a Empresa querer doar e entrar em contato com a secretaria do Município ou Estado? Claro que não. Quem não gostaria de comprar fraldas da Empresa que se “preocupa” com as necessidades do povo brasileiro. Doar anonimamente? E onde fica o marketing?

    A imprensa também não fica atrás. Vários aspirantes a datena apareceram na TV. Todos os “ângulos” da notícia estão sendo registrados: o do fato, o da falta, o da dor, o da humilhação…Registrar o fato deve se sinônimo de informar. Qualquer coisa além é invasão e exploração da intimidade. Acho deprimente entrevistas no cemitério com alguém visivelmente transtornado, enterrando parte de sua vida,  tão cruel quanto filmar os que buscam por seus parentes no IML. Não me espantaria se algum desses vitimados resolvesse responder aos repórteres de forma grosseira…Respeitar a dor alheia também é uma forma de ajudar.

    É triste, mas a cada início de ano, embalados pelo verão com suas chuvas torrenciais, estaremos cada vez mais aguardando a próxima tragédia. A falta de planejamento social agrava o problema, um pouco de vontade política talvez possa minimizar seu efeito. A verba destinada para prevenção não foi devidamente utilizada. Talvez eu seja muito leiga nesse assunto e não consiga entender que conseguir um bilhão para reformar o Maracanã seja mais fácil do angariar verba para  obras de drenagem e contenção de encostas.

    Espero que os vitimados busquem forças. Que tenham lágrimas pra chorar seus mortos. Que tenham ânimo para reconstruir seus lares. E que não se importem com o que acontece ao redor, afinal, o detalhe só enxerga quem não vive a tragédia.