Esta semana fui surpreendida por duas vezes: a perda de uma amiga saudável e o surto de uma pessoa que, aparentemente, tinha um "pé no Tibet". São histórias distintas, os personagens e os locais não se confundem entre si, mas há um ponto em que elas se cruzam - o inesperado.
No primeiro caso a pessoa era ativa, mãe, mulher, no auge da maturidade. Ela era como aquelas mães de comercial de margarina - cuidava dos filhos, marido e pais com muito afinco. Tudo estava no seu controle, mesmo que às vezes, aos olhos dos outros, parecia que ela era a continuação do marido. Ela guiou sua família, crédula de que só passaria o guidom quando estivesse bem velhinha...ledo engano. Ela partiu, cumpriu seu ciclo. Agora, será que teria sido menos penoso se ela tivesse preparado os seus entes durante toda a vida? Não de forma mórbida, mas sutilmente, com a passagem contínua do bastão do controle. É comum do ser humano protelar tudo o que está ligado a morte, mas se você tivesse que partir hoje, teria dito e feito tudo a todos? Teria economizado o suficiente para deixar confortável a situação de quem depende de você? Teria ensinado aos seus filhos a sobreviverem sem você? Às vezes negar é ensinar a pescar...
Na segunda história existem duas protagonistas: quem surtou e quem o provocou. Uma é calma, preza pela política da boa vizinhança, não se colocava em conflitos, muitas vezes estava em cima do muro. A outra sempre se expunha, não deixava nada passar em branco. Adepta do lema: quem tem ouvido que ouça! Esqueceu-se de que a recíproca é verdadeira, foi traída pela própria língua. O acúmulo do insatisfeito provocou uma grande ira, e tudo, que até então não era questionável, veio à tona. Agora, será que posicionar-se e apresentar ao outro suas discrepâncias não evitariam um confronto? Assim como, pelo outro lado, respeitar os limites dos outros, evitando comentários paralelos, palavras ofensivas, ou ironias desnecessárias anulariam esse ambiente de guerra. As vezes o silêncio é pacificador...
Diante desses casos, seria possível evitar os danos e não ser pego assim tão de surpresa? A morte é um fato, e ninguém passa pela vida sem discutir ou discordar, mas atenuar seus efeitos talvez seja possível.

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