DOCE ROTINA

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Amor, o único tom de Anastácia

Imagem retirada da internet

Anastácia é uma estudante bem comportada, meiga, romântica que nunca namorou. Grey é sedutor, bonitão, experiente e bilionário. A pedido de uma amiga, Ana foi entrevistá-lo para um trabalho de faculdade. Daí nasce uma atração incontrolável. O galã estabelece uma relação sexual sadomasoquista com a, até então, virgem mocinha. Essa seria a base de mais um romance do tipo "Sabrina", se não houvesse a representação pormenorizada de muito SEXO. Esse ingrediente transformou a trilogia de 50 Tons de Cinzas em um fenômeno de leitura, especialmente entre as mulheres.

Li o primeiro livro da série e, confesso, não consegui ir além. Comecei pela curiosidade, terminei pelo compromisso. De literatura pobre e pueril, o livro não passou de um Crepúsculo nível "hard". Mas confesso que romances não são as minhas principais escolhas e, meninas, a análise literária não é o mérito aqui.

Grey não é príncipe, é vilão. Sexo e submissão são fatores explorados pelo galã. Ana se envolve com ele porque acredita no amor. Grey se envolve com ela porque é doente. A  "anormalidade" sexual de Grey advém de uma infância traumática, com direito ao pacote mãe envolvida com cafetão e pedofilia - aos 15 anos o garoto envolveu-se com uma amiga de sua mãe que praticava o sadomasoquismo. Essa misturinha bombástica o transformaria em vítima, se ele não traspassasse a sua ira e frustração nas suas relações sexuais. Embora consensual, o ato atropela a inocência da mocinha que acredita que, submetendo-se às vontades dele, terá seu amor. Abstenho de me aprofundar em questões psicológicas - minha ignorância na área não permite -, mas acredito que não é a submissão que alcançará o amor deste "príncipe". Aliás, mulher alguma alcança o amor de alguém com subserviência. Amor se atrai com amor. Para os doentes, mesmo lindos e ricos, tratamento.

Nós, mulheres, fomos por séculos revestidas das regras de boas maneiras e ensinadas a assumir um comportamento virtuoso: incorporarmos o papel da mulher-mãe, as rainhas do lar, as que equilibram a sociedade transmitindo valores. Coube aos homens a multiplicação da espécie. Nossos corpos foram, por séculos, deles. Corpos tomados por empréstimo para multiplicar. Eles executam e discutem a forma, e a nós restou o tabu: não falamos sobre sexo; não contamos mentiras aumentando o nosso desempenho; não levantamos assuntos sexuais em mesas de bares; 

Por um momento, estamos falando de sexo. Não há como negar que o livro/filme ajudou a mudar esta ótica. É até bacana ver mulheres ostentando seus livros em pontos de ônibus, ou organizando caravanas femininas para assistirem ao filme. Mas ainda me incomoda nos vermos rotuladas como as inocentes que por amor tudo fazem. Que a ficção diminua o conceito que a vida real, infelizmente, transborda.

beijos meninas!





quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Evento do Impeachment, por que vou mesmo?

Reclamar em redes sociais tornou-se um hábito e se o motivo do protesto for a atual gestão presidencial vira até evento. As manifestações virtuais estão dominadas por  "curtir/compartilhar",   mas e se o papo transcender a esfera virtual e tomar as ruas, você saberá por que participou/apoiou?

Foi pensando no grande leque de amigos insatisfeitos que criei este "guia do impeachment". Um guia simples, para nortear a galera do "fora Dilma". Afinal, você não vai achar que a presidenta pode ser afastada só por conta do preço abusivo da gasolina, né?

Vamos ao guia:

1 - Quais são os motivos que permitem um impeachment? 

Crimes de responsabilidades em atos da presidenta que atentem contra a CF e contra:
a)  a existência da União (Chamar os gringos pra mandarem na casa);
b) o livre exercício dos poderes (o péssimo hábito (rs!) da presidenta de não enviar o orçamento do Judiciário para o Congresso, por ex.);
c) O exercício dos direitos políticos (mexer com o seu direito ao voto, embora vc viva reclamando de exercê-lo);
d) a segurança interna do País (tentar mudar por violência a forma de governo, por ex. Governo tipo Fidel e cia, só se todos quiserem);
e) a probidade na administração (administrar com irresponsabilidade, mas de forma dolosa - com intenção);
f) a lei orçamentaria (não apresentar a lei da grana no Congresso em tempo, ou, popularmente falando, usar o dinheiro do pastel na compra de um lingerie - contadores entenderão-, por ex.);
(art. 85, I a VII da CF/88)

O rol de conjecturas para afastar a "gatinha do Serrado" é extensa, basta escolher o que melhor se encaixa na sua indignação e o resto é com você.

2 - Quem e quantas pessoas podem denunciar os crimes?

Uma. Sim, apenas uma! Você, se for cidadão, é claro! É permitido a qualquer cidadão denunciar a presidenta perante a Câmara dos deputados. No caso, a pessoa precisa exercer a cidadania, ou seja, tem que ter título eleitoral regular. Viu? e você achando que inscrição eleitoral só serve pra perder o passeio no belo primeiro domingo de outubro dos anos pares... 
(art. 14 - Lei 1079/50)

3 - Depois da denuncia feita, o que ocorre?

Resumidamente: a denúncia é lida em sessão, é montada uma comissão especial que emite um parecer pela procedência, ou não e, se sim, será votada nominalmente no Plenário. (lei 1079/50)

A acusação só é admitida se obtiver 2/3 da Câmara (muito, né? Vejo votos de "protesto" esvaindo-se pelos ares neste momento, rs!), se o que você escolheu como denúncia for infração penal comum, cabe ao Supremo Tribunal Federal julgar, mas se for crime contra a responsabilidade, cabe ao Senado Federal. Vale lembra-lo que, antes do julgamento, a presidenta será apenas afastada das suas atividades e que esse só restará em impeachment se proferido dentro de 180 dias do afastamento, caso contrário, ela ressurge feito Fênix. (art. 86 da CF/88) 

4 - Quem assume se ela vazar?

O vice, salvo se ele for parte da denúncia. Se o vice não estiver envolvido em nenhum dos casos citados, ele assume a presidência. Uma nova eleição só ocorre na vacância dos dois cargos e se, ainda, o período presidencial referir-se ao primeiro biênio. Se a vacância dupla ocorrer nos dois últimos anos da gestão, haverá eleição indireta, feita pelo Congresso Nacional - Deve ser daqui que surgem as ideias estapafúrdias de que o Aécio assumiria a presidência. (art. 81 da CF/88).

 É isso! Ah, você deve estar se perguntando se eu apoio o impeachment, e a resposta é não. Em primeiro e mais importante lugar, não apoio nada que contraria o Estado Democrático de direito. O voto é a ferramenta mais legítima para se protestar. O presidente torna-se eleito se obtém a maioria absoluta dos votos válidos, e se você está descontente apenas por não ter feito parte dessa maioria, você estará ajudando a enfraquecer a democracia. Passaram-se, apenas, 23 anos desde que o Collor foi "demitido", no meu fraco entendimento, não acho salutar a interferência na gestão, pois restaria provado que não sabemos usar o voto e não entendemos o que é democracia. Em segundo lugar, se a denúncia fosse legítima o afastamento poderia acontecer, mas o impeachment não, pois comprovar o dolo(intenção) em um processo de improbidade administrativo, sem provas irrefutáveis, é quase impossível e esse afastamento só abalaria ainda mais esse país. Enfim, prefiro que a, até hoje omissa , pseudodireita faça o dever a que lhe foi conferida: ATUE NA OPOSIÇÃO COM VEEMÊNCIA.

Resenha feita, espero que agora você não se limite a dizer que foi só "pela gasolina".

beijão!