As redes sociais projetaram-se. Não trata-se apenas de um mundo “virtual”, uma esfera surreal, mas a extensão do cotidiano.
Embora ainda seja o esconderijo daqueles que socialmente não se integram, os “e-groups”, para a maioria, se consolida como um assento a mais no sofá. Aquela pessoa (íntima ou não) que fez parte da sua vida, mas que de alguma forma não esteja presente, passa a partilhá-la e a conversa ganha coro. Tem, como os melhores frascos de perfumes, o efeito de trazer alegria e prazer às lembranças – o cheiro doce da infância.
Envolve-me de fascínio re-encontrar alguém que, de alguma forma, fez parte da minha vida. Alegra-me, ainda mais, continuar aquela boa conversa que o tempo e o destino não fez progredir. Encurtar distâncias. Elucidar mal entendidos. Talvez algo que tenha feito tanto mal em uma determinada época – coisas da imaturidade – hoje, não tenha a menor importância, e um “oi!” seja a coragem do dedinho mindinho não estendido.
Claro que nem todos querem socializar. Existem, certamente, aqueles que não possuem lembranças nenhuma. Há aqueles que usam as redes pra espelhar desejos. Produzir quem não se conseguiu ser, é muito comum. O sucesso é o tema, mas, ao desligar-se as máquinas, o glamour acaba. Voltam-se às ostras.
Contudo, ainda prefiro a satisfação do todo. O somar. O ligar. A conversão das preces num som de choro único. A transformação do sorriso em um coro de alegria. A aproximação dos ausentes. Juntar as partes, uní-las em um nó cego. Prefiro guardar sempre um cantinho a mais no meu sofá.
